AMEFRICANIDADE COMO CATEGORIA POLÍTICA, EPISTÊMICA E ESTÉTICA

Autores/as

Palabras clave:

Amefricanidade, Colonialidade do poder , Epistemologias do Sul , Feminismo Negro , Estética Amefricana

Resumen

Este artigo analisa a Amefricanidade como categoria política, epistêmica e estética a partir da obra de Lélia Gonzalez. Argumenta-se que a formulação gonzaleana opera como crítica à colonialidade do poder ao expor os mecanismos de branqueamento das narrativas nacionais e a negação do racismo no Brasil, articulados à ideologia da mestiçagem e ao mito da democracia racial (Gonzalez, 1983). Em seguida, discute-se a Amefricanidade como categoria epistêmica, na medida em que desloca o lugar de enunciação do conhecimento, questiona o cânone eurocentrado e reivindica a legitimidade de saberes produzidos por sujeitos negros e indígenas, em diálogo com a crítica decolonial à geopolítica do conhecimento e às hierarquias raciais do saber (Quijano, 2000; Mignolo; Walsh, 2018). Por fim, examina-se sua dimensão estética, destacando a linguagem como campo de disputa e a noção de pretuguês como evidência de uma cultura amefricana inscrita na própria constituição do português no Brasil, bem como a centralidade de práticas artísticas, religiosas e literárias como arquivo vivo da diáspora e de cosmologias não separadas pela dicotomia moderna entre corpo e razão (Gonzalez, 1988; Hall, 2003). Conclui-se que a Amefricanidade permanece como chave analítica atual para interpretar desigualdades, resistências e produções culturais no Sul Global, contribuindo para reorientar a pesquisa e a escrita acadêmica desde perspectivas historicamente silenciadas (Carneiro, 2005; Ratts, 2007).

 

Biografía del autor/a

  • DOUGLAS MANOEL ANTONIO DE ABREU PESTANA DOS SANTOS, USP

    Mestre e Doutor em Educação.Pesquisador. Graduado em Pedagogia com ênfase em inclusão e diversidade.Licenciatura em Letras (Língua e Literatura Inglesa). Especialista em Tecnologias Educacionais pela Universidade de São Paulo (USP). Atualmente, atua como pesquisador colaborador na Cátedra Otavio Frias Filho de Estudos em Comunicação, Democracia e Diversidade, vinculada ao Instituto de estudos avançados da Universidade de São Paulo (IEA-USP). Membro da Sociedade Brasileira para o progresso Ciência (SBPC). Sua pesquisa atual na área da educação concentra-se na análise do Transtorno do Espectro Autista (TEA) no contexto de migrantes na educação básica, realizada na Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES).

Referencias

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Cartaz ilustrado em tons de terra, ocre e negro. No topo, destaca-se o título 'AMEFRICANIDADE COMO CATEGORIA POLÍTICA, EPISTÉMICA E ESTÉTICA', seguido do subtítulo 'INSPIRADO NA OBRA DE LÉLIA GONZALEZ POR DOUGLAS MANOEL ANTONIO DE ABREU PESTANA DOS SANTOS'. Ao centro, encontra-se a figura imponente de uma mulher com traços negros e indígenas, adornada com um cocar de penas, pinturas faciais e colares. Ao redor da sua cabeça, como se fossem ramificações de pensamentos, flutuam as expressões: 'Saberes próprios', 'Vozes negras e indígenas', 'Estética da diáspora e da terra', 'Pretuguês' (junto à ilustração de um livro), 'Deslocamento epistémico' e 'O corpo como linguagem'. Na base da imagem, sobre uma mancha escura que remete para o mapa das Américas e de África, figuram elementos de resistência: correntes partidas, um punho cerrado erguido, uma pequena casa rural e um grupo de silhuetas de pessoas em marcha. Estas figuras empunham uma tocha e cartazes onde se lê 'Luta política amefricana' e 'Aquilombamento e resistência'. No rodapé inferior e ao centro, encontra-se o logótipo da 'Revista Amefricana'.

Publicado

2026-02-28

Declaración de disponibilidad de datos

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Número

Sección

1. Estudos Amefricanos (Artigos Originais)

Categorías

Cómo citar

AMEFRICANIDADE COMO CATEGORIA POLÍTICA, EPISTÊMICA E ESTÉTICA. (2026). Revista Amefricana, 2. https://revistaamefricana.com.br/revista/article/view/9