TERRITÓRIOS DE MORTE E SUBJETIVIDADES FERIDAS
juventude negra periférica e a necropolítica da saúde mental no SUS
DOI:
https://doi.org/10.65855/aa7p8e56Palabras clave:
Juventude negra, Necropolítica, Saúde mental, Racismo estruturalResumen
Este artigo analisa o sofrimento psíquico da juventude negra periférica como expressão da necropolítica que organiza o território urbano brasileiro. Partindo da compreensão de que o racismo estrutural distribui desigualmente proteção e vulnerabilidade, argumenta-se que a periferia constitui espaço racializado de gestão da vida e da morte, onde jovens negros crescem sob a experiência reiterada da violência, da vigilância e do luto precoce. A partir de abordagem teórico-crítica fundamentada em autores do pensamento negro e da teoria social contemporânea, problematiza-se a tendência à psiquiatrização do sofrimento racial nos serviços de saúde mental, evidenciando como experiências estruturais de exclusão são frequentemente traduzidas em diagnósticos individualizados. Discute-se ainda os limites da universalidade abstrata no âmbito do Sistema Único de Saúde, quando a dimensão racial do sofrimento não é reconhecida como determinante central. Defende-se que a integralidade do cuidado exige deslocamento da clínica desracializada para uma prática antirracista e territorializada, capaz de nomear o racismo como operador de adoecimento. Conclui-se que, sem esse enfrentamento, a saúde mental corre o risco de administrar desigualdades que deveria transformar.
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