Moralidade da Diferença ou Yes aqui não temos Jim Crow!

Authors

Keywords:

Moralidade da diferença, subordinação, ordem racial

Abstract

O artigo pretende analisar quais são formas que assujeitam o indivíduo negro por meio de uma moralidade da diferença, e demonstrar que o controle sobre a vida e as expectativas sobre cotidiano são submetidos ao fenômeno do aprisionamento por meio de práticas simbólicas e materiais de subordinação ordinária. Ajustado a um projeto de subordinação historicamente determinado, o indivíduo não branco irá experimentar um sistema de poder baseado no aparelhamento da vida. Essa moralidade não poderia ter um ambiente tão fértil se não existisse uma cultura de longa duração da generalização da hipocrisia, que reafirma uma aparente neutralidade dos brancos, proclamando que a cor não interfere nas oportunidades, na distribuição do poder e nas relações sociais, ilustrando afinal, que no Brasil não existem sistemas normativos que restringem a mobilidade social e econômica dos negros.

Author Biography

  • Manoel Ribeiro de Marins Filho (Juca), Universidade Federal Fluminense

    Doutorando e Mestre em Política Social pela Universidade Federal Fluminense (UFF), com especialização em Terceiro Setor (UFRJ). Atuou como docente na Escola do Legislativo do Rio de Janeiro (ELERJ) e na Unisuam. Possui vasta trajetória na gestão pública e cultural, tendo ocupado cargos como Superintendente de Leitura e Conhecimento da Secretaria de Estado de Cultura do RJ, Curador do Salão Carioca do Livro e Subsecretário de Assistência Social em São João de Meriti. Fundador do Instituto Agenda e Diretor da consultoria PRODIALOGICA, é autor de obras sobre responsabilidade social. Atualmente é Gerente de Projetos da Secretaria Especial de Economia Solidária do Rio de Janeiro.

References

ALTHUSSER, Louis. Aparelhos Ideológicos do Estado: nota sobre aparelhos ideológicos do Estado. Rio de Janeiro: Edições Graal, 1985.

CROCHIK, José Leon. Preconceito, indivíduo e cultura. 3ª ed. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2006.

DURKHEIM, Émile. A Educação Moral. Traduzido por Raquel Weiss. Rio de Janeiro: Vozes, 2008.

FOUCAULT, Michel. Vigiar e punir: nascimento da prisão. Tradução de Raquel Ramalhete. 42.ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2014.

GUIMARÃES, Antônio Sérgio. Classes, raças e democracia. O Mito anverso: o insulto racial. São Paulo, Editora 34, 2002.

HEGEL, Georg Wilhelm Friedrich. Princípios da Filosofia do Direito. 1°ed, 4° tiragem. São Paulo: Martins Fontes, 2009.

HERNÁNDEZ, T.K. A versão brasileira da legislação Jim Crow: o projeto de embranquecimento do direito de imigração e o direito costumeiro de segregação racial: um estudo de caso. In: Subordinação racial no Brasil e na América Latina: o papel do Estado, o Direito Costumeiro e a Nova Resposta dos Direitos Civis [online]. Tradução: Arivaldo Santos de Souza e Luciana Carvalho Fonseca. Salvador: EDUFBA, 2017.

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Boletim Desigualdades Sociais por Cor ou Raça no Brasil, 2022.

Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada. Entrada em domicílio em caso de crimes de drogas: geolocalização e análise quantitativa de dados a partir de processos dos Tribunais da Justiça estadual brasileira / Rafael de Deus Garcia ... [et al.]. – Rio de Janeiro: IPEA, 2023.

JONAS, Hans. O Princípio Responsabilidade: ensaio de uma ética para uma civilização tecnológica. Rio de Janeiro: PUC Rio, 2006.

LACERDA, João Batista de. Congresso Universal das Raças. Rio de Janeiro: s.n. 1912.

NOGUEIRA, Oracy. Preconceito Racial de Marca e Preconceito Racial de Origem (Sugestão de um quadro de referência para a interpretação do material sobre relações raciais no Brasil). Anais do XXXI Congresso Internacional dos Americanistas. São Paulo: Editora Anhembi, 1955b.

OLIVEIRA VIANNA, Francisco José. Evolução do povo brasileiro. 3ª edição. São Paulo: Companhia Editora nacional, 1938.

ROMERO, Silvio. História da literatura brasileira. 2. ed. Rio de Janeiro: Garnier, 1902.

Colagem digital artística em tons de sépia e textura envelhecida, servindo como capa ilustrativa. O fundo é composto por documentos burocráticos brasileiros antigos, com carimbos e caligrafia cursiva. No centro, uma fotografia granulada em preto e branco, aparentando ser da década de 1930, mostra homens e mulheres, negros e brancos, caminhando em uma praça pública. Eles ocupam o mesmo espaço, mas não interagem, olhando em direções opostas. Uma faixa vermelha texturizada, que parece uma fita adesiva rasgada, atravessa a imagem horizontalmente. Sobre ela, em letras brancas estilo carimbo, está o título principal: "MORALIDADE DA DIFERENÇA". Abaixo, em tamanho menor: "“Yes, aqui não temos Jim Crow!”". No canto inferior direito, uma placa de metal estilo vintage com os dizeres em inglês "WHITE ONLY" (Apenas Brancos) está vigorosamente riscada com um grande "X" preto, simbolizando a negação do modelo de segregação explícito.

Published

2026-01-21

Issue

Section

1. Estudos Amefricanos (Artigos Originais)

Categories

How to Cite