Quando a Substância Enrijece o Corpo
Por Um Diagnóstico das Raízes Metafísicas do Gênero
Palabras clave:
Metafísica , Substância , Gênero , Colonialidade , FilosofiaResumen
O texto investiga como o problema do gênero ultrapassa a dimensão identitária e sociológica, revelando-se uma fissura profunda nas bases metafísicas que estruturaram o pensamento ocidental. Ao revisitar Platão, Aristóteles e autores modernos, evidencia-se como a metafísica da substância, fundada na busca por essências estáveis, identidades fixas e modelos universais, produziu formas de normatividade que disciplinam corpos, restringem experiências e sustentam regimes coloniais, raciais e de gênero. Através de críticas contemporâneas, como a de Fanon(2008), Denise Ferreira da Silva(2022), Valentim(2019) e Bensusan(2012), destaca-se que tal estrutura ontológica não é neutra, mas está intrinsecamente vinculada à colonialidade e aos modelos eurocêntricos como medida universal. Em contraposição, o texto afirma a necessidade de uma ontologia do devir, das tramas, da relação e da multiplicidade, capaz de acolher corpos dissidentes, subjetividades não lineares e mundos plurais. Pensar o gênero para além da substância implica abandonar a fixidez e reconhecer o ser como processo, abertura e invenção contínua, como gesto ético, político e cosmológico que desestabiliza o universalismo e cria espaço para novas formas de existir.
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