Amefricanidade como Práxis: O diálogo entre a crítica estrutural de Silvio Almeida e a proposta editorial da Revista Amefricana

2026-02-17

O debate contemporâneo sobre a superação do legado colonial encontra-se em uma encruzilhada metodológica. Recentemente, a intervenção teórica de Silvio Almeida sacudiu o campo progressista ao exigir o retorno à centralidade da crítica da economia política e das formas sociais, apontando os riscos de uma fragmentação identitária.

É nesse hiato histórico que a Revista Amefricana se posiciona. Não como um mero periódico de nicho, mas como um projeto de ciência aplicada e soberania teórica. Nossa proposta editorial estabelece um diálogo crítico e programático com essas demandas, fundamentando-se no conceito de Amefricanidade de Lélia Gonzalez não apenas como identidade, mas como categoria de análise material.

Da Fragmentação à Totalidade

Enquanto certas vertentes do pensamento decolonial tendem a isolar as dominações (saber, poder, ser), a Revista Amefricana responde à lacuna apontada por Almeida adotando a Amefricanidade como uma categoria socio-histórica de totalidade.

Isso nos permite compreender como o racismo estrutura a acumulação de capital na periferia do sistema e como o Estado opera na gestão da violência. Ao focar em "Sociologia, Desenvolvimento e Práxis Antirracista", evitamos o idealismo, tratando o racismo como elemento constitutivo das relações de produção.

Contra a Domesticação Acadêmica

Almeida alerta para a absorção da crítica pelo mercado acadêmico neoliberal, que celebra a "diversidade" desde que não ameace a propriedade. A Amefricana enfrenta esse risco instituindo-se como um espaço de mediação teórica.

Assumimos o papel de transformar a "vivência amefricana" em conhecimento científico rigoroso, oferecendo subsídios para o planejamento econômico e políticas públicas. Saímos da "guerra cultural" para entrar na disputa pela estratégia de poder.

Modernidade e Direito ao Desenvolvimento

Recusando o retorno a passados idealizados, reivindicamos o direito ao desenvolvimento sob uma perspectiva antirracista. A revista se alinha à tradição de líderes e intelectuais que buscaram, nas ferramentas da ciência e da organização estatal, a ruptura com a dependência imperialista.

A Revista Amefricana consolida-se, portanto, como uma plataforma que não apenas "denuncia a ferida colonial", mas analisa as engrenagens da sua reprodução e projeta as ferramentas para a sua superação material.